terça-feira, setembro 20, 2016

Como não sai Passos Coelho, saio eu do PSD


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Tomei a decisão de me filiar no Partido Social Democrata no dia 11 de Outubro de 1991. Ao longo de 15 anos desempenhei funções partidárias ao nível concelhio, distrital e nacional na JSD e no PSD, tendo sido mesmo eleito, em 2002, Militante Honorário em Congresso Nacional da JSD.
Em 2006 tomei a decisão pessoal de deixar a vida partidária activa regressando à condição de militante de base. Mas tudo somado não esqueço que são 25 anos de militância no PSD.
Tenho um profundo orgulho em ser social-democrata. Uma social-democracia que teve a sua génese em Eduard Bernstein, Willy Brandt e Anthony Giddens e seguidores como Helmut Schmidt,  Olof Palme e Francisco Sá Carneiro.

O PPD/PSD foi durante muitos anos um partido do centro que defendia o estado social assente em três pilares basilares, a saúde, a educação e a segurança social. E que estes pilares deveriam ser assegurados pelo Estado.
Esta é a social-democracia em que acredito, que defendo e continuarei a defender para o meu País.
Nos últimos anos lamentavelmente o PPD / PSD afastou-se destes princípios ideológicos que estiveram na génese da fundação do Partido.
Ao longo do consulado de Passos Coelho assistimos a uma deriva neo-liberal. Passamos a assistir à defesa de um regime assistencialista em que o Estado apenas pagaria aos “ coitadinhos dos pobrezinhos“. Esta é para mim uma visão inaceitável e redutora do papel doEstado.
Entendo que o papel do Estado está muito longe de se resumir apenas a responsabilizar-se por aqueles que não conseguem ter acesso aos serviços essenciais condizentes com uma vida humana condigna.
No último programa eleitoral foi manifesta a opção do PSD pela liberdade de escolha do contribuinte, sendo que desta forma o Estado apareceria, em muitas situações, apenas como regulador e fiscalizador.
Uma situação é o Estado poder ser libertado de determinadas funções que podem ser levadas a cabo perfeitamente pelo sector privado, porém, outra completamente diferente é o Estado deixar de garantir serviços com qualidade à generalidade dos portugueses.
A isto acresce que, em 2010 com ascensão de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD, ascenderam também a lugares cimeiros do partido dirigentes políticos do tipo “ trepa-trepa “, em que o mérito foi medido em função do número de votos dos “ exércitos “ que comandavam e que valiam exclusivamente para a eleição do presidente do partido. A mediocridade passou a ser premiada. Quanto pior melhor que assim não incomodavam. E esta, paulatinamente, passou a ser regra.
As estruturas partidárias, ao nível local e distrital, passaram a servir apenas para preencher lugares na administração pública com salários chorudos. A actividade política da maioria destas estruturas passou ser praticamente inexistente, resumindo-se quase aos momentos eleitorais internos e externos.
O debate terminou. Passou-se a considerar anormal a existências de listas opositoras. O regime vigente passou a ser o de lista única. O pensamento passou a ser único. Os que pensam de forma diferente passaram a ser excluídos, silenciados e marginalizados. E até se passaram aprovar listas de deputados de “ braço no ar “ ao melhor estilo “ estalinista “como ainda acontece na Venezuela, em Cuba ou na Coreia do Norte.
Nos últimos anos apresentei diversas propostas para contrariar o rumo que o PSD estava a levar. Fechado em si próprio, afastado dos seus militantes, das pessoas e dos novos tempos. Defendi uma modernização do Partido, da sua organização, aberto à sociedade e a uma nova realidade política, social e tecnológica. Um partido mais transparente e mais abrangente.
Ao longo dos últimos meses fiquei com a sensação que o calendário para Passos Coelho parou no dia 4 de Outubro de 2015.
De primeiro-ministro passou a profeta da desgraça. No último ano o PSD entrou em “ estado de coma “, por isso, sempre que acorda está desfasado da actual realidade politica e social.
Eu que até, no passado, apoiei Pedro Passos Coelho é desiludido e com muita tristeza que vejo hoje o PSD, sem liderança, sem estratégia, sem rumo, sem propostas para o país, navegando à espera “ da desgraça alheia “ para que um dia o poder lhe caia novamente nas mãos.
Para este facto concorre também a falta de qualidade de vários dos actuais dirigentes do PSD. Ao que ainda acresce o facto que a moral, a ética e o carácter de alguns ser mesmo muitas vezes questionada publicamente.
Não consegui perceber como, poucos meses depois da saída do governo, Passos Coelho veio defender publicamente a ida de Maria Luis Albuquerque para a Arrow Global. Também não entendi quando veio fazer a defesa pública de Durão Barroso quando assumiu as funções de chairman do Goldman Sachs. Incompreensível foi também a posição do líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, quando, na semana passada, veio fazer a defesa de Durão Barroso contra a decisão de Jean Claude Juncker passar a tratar o ex-presidente da Comissão Europeia como um “ lobista “.
Estranho o PSD usar a mesma linguagem do Bloco de Esquerda para falar de Juncker. Com uma pequena grande diferença. Nos últimos dois anos, quando o BE zurzia no Presidente da Comissão Europeia, o PSD defendia-o. E foi também a manifesta falta de coerência, nos últimos tempos, que me foi afastando de Passos Coelho e do PSD.
Nos últimos anos bati-me, como é público, pela defesa da transparência, pela separação entre a política e os negócios e pela moralização da vida política e pública.
Mas parece-me definitivamente que para esta gente que dirige o PSD é tudo normal, misturar política com negócios e agora até com “ mexericos “ da vida íntima das pessoas.
Na passada sexta-feira foi anunciado que Pedro Passos Coelho iria apresentar o livro de José António Saraiva intitulado “ O LIVRO PROIBIDO: Eu e os políticos: o que não pude (ou não quis) escrever até hoje “. Confesso que não acreditei, mas entretanto confirmei infelizmente que era verdade.
Lamento profundamente que o ex-director do “ Expresso “ dedique o seu tempo a divulgar conversas privadas, servidas acompanhadas dos mais rasteiros mexericos, sobre o que de mais íntimo há na vida das pessoas, muitas que não conheço, mas amigo de algumas.
Independentemente de tudo isto não se fazer ao pior dos inimigos, o que me choca mais são as revelações íntimas que José António Saraiva faz, com um nítido à vontade, relativamente a pessoas que infelizmente já não estão entre nós. Apesar de deplorável e nojento entendo que isto fica com o senhor arquitecto. Porém, outra coisa bem diferente é ver Pedro Passos Coelho, o Presidente do PSD, o meu Partido há mais de 25 anos, “ patrocinar “ esta pouca vergonha.
Há algum tempo que ponderava desfiliar-me do PSD porque há muito que não me revejo em muitas das práticas de alguns dos seus mais destacados dirigentes, na sua forma de fazer política, mas sobretudo, nos últimos tempos, da negação do ideário social-democrata que esteve na génese do PPD/PSD.
Confesso que foi este fim de semana, após ter visto a confirmação pela voz do próprio Passos Coelho que iria alimentar este “ circo “ da politica portuguesa “ patrocinando “ com a sua apresentação, talvez o mais abjecto dos livros da história da democracia portuguesa, a gota de água que me levou a tomar a decisão de pedir, hoje, a minha desfiliação do PSD.
Não foi uma decisão fácil, mas há momentos em que temos que ser claros e dizer não. Há limites para tudo. Uma coisa é a luta política, por vezes dura, a defesa de pontos de vista muitas vezes antagónicos de forma convicta, o estar sujeito quotidianamente ao escrutínio público, outra coisa é “ abençoar “ a devassa da vida privada e íntima das pessoas.
EU DIGO NÃO HOJE, AMANHÃ E SEMPRE ao facto de o líder do meu Partido “ patrocinar “ a devassa da vida íntima das pessoas, com a agravante ainda de uns já terem falecido, outros serem companheiros de partido e outros adversários políticos. Este é um livro que viola claramente a privacidade das pessoas citadas. É completamente inadmissível que o Presidente do PSD e ex-Primeiro-Ministro de Portugal faça a apresentação deste inqualificável livro que ultrapassa todos os limites da razoabilidade. Há princípios e valores com os quais sou intransigente. E o direito à privacidade é algo de inabalável enquanto valor de uma sociedade moderna.
Para mim não existe alternativa. Como não sai Passos Coelho do Partido, saio eu do PSD.
Não sei se é um até sempre, mas é com toda a certeza um adeus enquanto Passos Coelho presidir aos destinos do Partido Social Democrata.
Eu continuarei social-democrata, como sempre, agora como independente, a defender o superior interesse da minha terra e do meu país, continuando a lutar pela separação entre a política e os negócios e pela moralização da vida política e pública.

segunda-feira, setembro 19, 2016

Há muitas histórias assim...



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Cara Mariana, no seguimento à sua brilhante frase “Temos de perder a vergonha e ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro”, permita-me a minha revolta nestas palavras que lhe dirijo: Esta sou eu com 16 anos no meu 1º trabalho, nas férias do Liceu (não, não é photoshop nem posei para a fotografia, estava mesmo a trabalhar!). Ganhei o meu 1º salário, 30 contos, como operadora de empilhador numa bloqueira. Aos 17, já carregava camiões, com chuva e pó nas ventas ao volante de 1 máquina de maior porte. Com 6h de trabalho intenso, onde por vezes era preciso montar paletes (de blocos de cimento), seguia pra escola. Aos 18 já era independente e pagava as minhas contas. Ingressei no ensino superior. Dava aulas durante o dia todo e seguia para o Porto, estudar à noite. Formei-me a pagar meus próprios estudos como trabalhador estudante. Comprei aos 23 anos meu 1º carro sozinha (1 super cinco em 2ª mão). Aos 28 anos construí 1 casa com empréstimo bancário que paguei durante 15 anos. Aos 35, tinha já 1 poupança de alguns milhares. Ao longo dos meus 50 anos, já fiquei sem emprego mas nunca sem trabalho. Só estive 4 meses no fundo de desemprego, para logo de seguida empreender. Quando estive grávida deixei perplexa a funcionária da segurança social perante minha ignorância e não ter, por isso, requerido subsídio. É que meus pais ensinaram-me a trabalhar, não a viver à custa do Estado. Não desenvolvi essa habilidade. Porque apesar de não ter dividido como o meu pai, 1 sardinha por três, cresci sem saber o que era abundância. A dar valor a tudo o que se tinha. A lutar. A fazer reservas para o futuro. Emigrados no Canadá, e porque era preciso “acumular dinheiro”, não tenho 1 lembrança, em criança, de 1 passeio com meus pais, de 1 almoço fora, de 1 férias… Os brinquedos, ainda hoje consigo lembrá-los todos. As roupas e calçado, só quando eram mesmo precisos. Vivi em casas modestas dormindo na sala. Porque era preciso “acumular dinheiro”, aos 5 anos tive de aprender a tomar conta de mim sozinha (ter babysitter é prós fracos). Porque meu pai , acampado nos bosques onde cortava pinheiros, só vinha ao fim semana. Minha mãe, tinha 2 empregos (era contínua e fazia limpezas), só a via à hora de almoço porque saía às 5h e chegava sempre pelas 24h. Cresci sozinha porque era preciso trabalhar arduamente para “acumular dinheiro”. Porque o meu pai não assaltou bancos. O que tinha era mesmo dele. Saiu-lhe do corpo. Por isso, vocês é que deveriam ter VERGONHA. Porque é preciso ser-se muito NULO para não saber governar sem sacar a quem faz pela vida. Criar grupos de trabalho de como assaltar as poupanças e património, em vez de procurar estimular e incentivar a economia. Porque de facto, já não pagamos impostos suficientes. Saiba que os “acumuladores de dinheiro deste país, trabalharam arduamente para o ter. Sejam grandes ou pequenos acumuladores de dinheiro”, TODOS começaram de baixo (excluo aqui, como é óbvio, os criminosos assaltantes de bancos, de património, traficantes). E consoante as suas aspirações, uns apostaram mais alto, outros menos, mas todos contribuindo para o enriquecimento da Nação. E é graças a eles TODOS que a Mariana, sem mérito algum, pousa o seu rabito no Parlamento. Porque não fossem eles, não haveria salário para nenhum de vós, que a bem dizer, é um desperdício. O país não precisa de parasitas que estudam meios para conseguir roubar mais a quem os sustenta. Precisa sim de gente como nós, mais ou menos “abastados” que produz, que investe, que cria postos de trabalho. Por isso, cada vez que estiver nessas reuniões de “trabalho” sinta vergonha por mais 1 assalto à classe dos “abastados” (classe média) em vez de começar por tributar o património dos partidos políticos onde se inclui o vosso palacete ocupado à força depois da revolução; por ter chumbado o decreto sobre enriquecimento ilícito; por ter permitido as subvenções vitalícias; por fazer vista grossa à corrupção existente no sector financeiro e organismos públicos; por proteger a classe que nos rouba e empobrece: a vossa.

quarta-feira, setembro 14, 2016

Escrevia discursos para Durão Barroso mas tinha de passar os rascunhos por baixo da porta






Mundo





Rui Antunes

Jornalista


Ryan Heath
Ryan Heath
A experexperiência de Ryan Heath na equipa que escrevia os discursos de Durão Barroso na Comissão Europeia (CE) foi "um desastre absoluto", nas palavras do próprio. E acabou de forma insólita: por azar, numa passagem por Singapura em 2011, o ex-funcionário público britânico entupiu a banheira da suíte VIP do então presidente da CE. Foi a gota de água para uma relação que esteve sempre longe de ser a ideal para alguém que pretende transmitir mensagens e mal fala com o homem contratado para o ajudar nas palavras.
Num artigo publicado no jornal Politico, o correspondente na Europa Ryan Heath relata os dias de ostracismo que viveu ao lado de Durão Barroso, em 2011. "O que ele desejava – se é que o disse a alguém - nunca me foi comunicado", escreve o britânico, sustentando a sua ideia com alguns episódios rocambolescos. Como aquele na Austrália em que a caravana de veículos da Comissão Europeia se esqueceu dele, depois de um discurso de Durão Barroso num casino, e o obrigou a regressar sozinho ao hotel, "com os papéis descartados do discurso na mão".
Conta Ryan Heath que Durão dava pouca importância à preparação do que ia dizer e raramente trocava impressões com a equipa encarregada de o aconselhar na oratória. Para contrariar essa tendência, os conselheiros do líder da CE tinham sugerido que Heath o acompanhasse na viagem à Austrália e Nova Zelândia. Mas o diálogo nunca existiu. "Barroso tinha pouco tempo para mim. Ficou sozinho na cabina de primeira-classe, relegou-me para o último carro da comitiva e obrigou-me a pedir aos seguranças para passar os rascunhos dos discursos por baixo da porta no hotel." Uma grande dúvida assaltou o britânico após a visita à Oceânia: "Ou Durão Barroso ignorava-me intencionalmente ou não parecia saber o que eu estava ali a fazer."
Numa outra ocasião, no aeroporto de Singapura, o colaborador da CE encheu-se de coragem e tentou abordar diretamente o superior hierárquico para acertar detalhes de um discurso. "Mas ele não quis falar comigo", descreve Heath no seu artigo. "Em vez disso, pediu-me para pesquisar sobre ligações da família dele a uma região de vinhos na Austrália chamada Barossa Valley." Nada a declarar.
Já muito havia a dizer sobre o estado em que Durão Barroso encontrou a suíte VIP onde o instalaram, depois de uma reunião com o primeiro-ministro de Singapura noutro local do mesmo hotel. Ryan Heath foi deixado para trás, sozinho, e decidiu "tomar um banho depois de 12 horas de voo desde a Europa". Azar completo: a banheira entupiu e os funcionários do hotel não conseguiram resolver o problema antes de Durão Barroso regressar.
"Durante quatro meses, vi pessoas a entrar e sair do grupo que escrevia os discursos. Desta vez, foi a minha vez de ser desconvidado. Voltei para Bruxelas de mãos vazias e Barroso nunca mais me falou", conta o homem que diz ter-se sentido a "escrever para uma caixa negra" durante a sua experiência com o político português. Passou a estar confinado ao seu gabinete, a escrever tweets sobre os discursos, até abandonar funções.

terça-feira, setembro 13, 2016

O mito das vacas felizes nos Açores

O mito das vacas felizes nos Açores

A campanha de animais felizes está a chegar a Portugal, pela marca açoriana de lacticínios Terra Nostra. Esta campanha que pretende envolver os 500 produtores de leite dos Açores, que terão de cumprir uma rigorosa lista de normas para poder ter o selo de “felicidade” nos seus produtos.
Mas o que está por trás de um selo de vacas felizes?
Ainda há muitos de nós que não conhecem a verdadeira origem do leite. Ainda faz parte do senso comum que as vacas nos “dão o leite” como uma oferenda divina. Mas nada pode estar mais longe da verdade.

A vida de uma vaca explorada para a produção de leite é tudo menos feliz. Para tentar perceber melhor, vamos seguir as etapas da vida de uma vaca feliz:
Inseminação artificial
Os animais não humanos, assim como os humanos precisam de engravidar para poder produzir leite. As vacas não são excepção. Para poder manter as vacas a produzir leite e ter uma exploração lucrativa, os animais são inseminados artificialmente num processo que se assemelha a uma violação. O processo de inseminação é um processo invasivo e que causa muito stress aos animais que são sujeitados a ele. (alternativas vegetais dos lacticínios)
Gravidez, nascimento e separação
Mesmo antes do nascimento dos bebés, as vacas começam a ser ordenhadas diariamente por máquinas que lhes extraem o leite. Quando nascem os vitelos, eles são separados das mães, que choram desesperadas por eles durante dias. Os bezerros podem ser mortos (gera lucro ao produtor) ou podem viver mais uns dias.

A morte anunciada dos bezerros
No dia do nascimento, os bezerros tem o seu destino traçado, se nascer macho será morto pouco tempo depois, uma vez que não tem qualquer tipo de valor comercial na indústria do leite. A carne do bezerro macho é vendida como uma iguaria comummente chamada de vitela, uma carne branca deficiente em ferro.
Para conseguir a carne branca e macia muito apreciada, o bezerro macho é amarrado, sem qualquer hipótese de se mexer até ao dia em que será abatido. Ao estar amarrado o bezerro não tem qualquer possibilidade de se mexer e assim não desenvolve qualquer tipo de músculo, fazendo a sua carne ficar macia com músculos pouco desenvolvidos. O macho quando é morto é um bebé, com anemia, afastado da sua mãe, forçado a estar parado na sua curta vida.
A vida de uma fêmea neste círculo também não é feliz. No dia do seu nascimento é encaminhada para uma área a parte da sua mãe, que continua a chorar pelo seu bebé perdido, onde vai iniciar a sua vida de exploração. Ainda adolescente os chifres da vaca são arrancados. Para impedir que cresçam, os produtores passam uma espécie de pasta cáustica que causa uma dor imensa e que faz com que os bebés se contorçam de dor durante horas. Os chifres das vacas tem milhares de terminações nervosas. Para finalizar o tratamento é passado um ferro quente para impedir que o chifre cresça.
Doenças nos animais explorados
A ordenha intensiva, as rações que estimulam a produção de leite causa imensa dor e problemas mamários nas vacas. As vacas sofrem de inflamações mamarias (mastites) que causa imensa inflamações e inchaços muito dolorosos.
Excesso de produção e benefício económico das vacas felizes
Até a data de escrita deste artigo foram abatidos mais de dez mil vitelos nos últimos dois anos nos Açores. Estes animais estão a ser abatidos pelo seu valor comercial que neste momento é mais lucrativo do que os manter vivos. A União Europeia paga pelo abate de cada bezerro até aos 15 dias 75euros.
Vacas felizes, doenças felizes
O consumo de leite pelos humanos é completamente desnecessário. O leite que as vacas produzem é destinado à alimentação dos bebés da sua espécie. Ao contrário do leite humano, o leite de vaca destina-se a alimentar animais de grande porte que vão ganhar muito peso rapidamente. Ao crescer os vitelos deixam de consumir leite.
Os humanos pelo contrario optam por roubar e beber o leite de outros animais que também está associado ao risco de contracção de inúmeras doenças. O consumo de leite está associado à obesidade, diabetes, cancro de mama, cancro de próstata, cólon, doenças auto imunes, osteoporose, doenças coronárias, problemas da retina, entre outras.
Artigo de Beatriz Batista no SociedadeVegan.com
que podes visitar para mais artigos, informação, roteiros e receitas vegan
ler também neste link : "A Harvard School of Public Health acabou de lançar uma bomba no campo da nutrição, ao limitar da pirâmide alimentar os lacticínios e os seus derivados. A equipa de investigação de Harvard está a estudar uma alimentação sã, livre dos lobbies da industria alimentar. O motivo pelo qual decidiram limitar os lacticínios prende-se pelo facto de que o consumo de lacticínios e derivados pode aumentar significativamente o risco de cancro de próstata e de ovários."

segunda-feira, setembro 12, 2016

Viana do Castelo, Chafé, Festival Folclórico Participação do CSCOrgens, ...

JÚLIO ISIDRO - É tudo tão verdade, que até arrepia

JÚLIO ISIDRO - É tudo tão verdade, que até arrepia

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NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!
NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO PARA JÁ SABER TUDO!
Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.
E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.
Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.
Sou dos que acreditam na invenção desta crise.
Um “diretório” algures decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.
Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.
Parece que alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.
Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.
Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho. Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se.
Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro entre os medicamentos e a comida.
E ainda têm que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.
A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o milagre da multiplicação dos pães.
Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados.
Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.
Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores.
Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.
Há carros topo de gama para sortear e autoestradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.
Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.
Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.
Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…
Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?
E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.
Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.
E aprendemos neologismos como “in conseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exatamente o contrário do que está escrito no dicionário.
Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.
E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…
Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.
E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos.
É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.

Júlio Isidro